Sunday, May 24, 2015

Guarda-alegria


FOTO: @notjustaguru | Direitos Reservados

Lembro-me daquela tarde de início de Junho em Serralves. O verão tímido do Porto despontava nos olhos das crianças, na chuva orvalhada de S.João, na música misturada com risos, nas flores e nos namorados saídos de hibernação,  Entre a confusão de gente, finos e cumprimentos circunstanciais, apareceste tu,  com o teu sorriso forasteiro, vindo da terra do nunca.  Começou a chover e lembro-me, não sei porque diabo,  fui dar-te o braço para partilhar contigo um guarda-chuva. A sensação de dar-te o braço foi naquele momento maravilhosa, porque tu pareceste-me o rapaz mais doce e genuíno à face da terra. O mais curioso, é que não sabia nada de ti, e não me importava.  Gostei de me rir contigo, de braço dado, com um guarda-chuva que não me lembro se era meu e teu, mas ainda bem que existiu.

Depois não me recordo de mais nenhum momento contigo naquela tarde, nem depois disso.
Mas lembro-me do teu braço e do guarda-chuva e de uma espontânea alegria que trouxeste à minha paixão congelada... Foi um momento. E só um momento. Um passeio feliz depois de chuva.
Mais tarde quando ouvia o teu nome na boca de alguém, sempre associei ao rapaz do guarda-chuva,  de quem pouco sabia, que trouxe a alegria tímida do Verão.

Bendita chuva.

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