Sunday, October 23, 2011

Porto (da minha alma)

Há dias em que não te entendo.
És frio e insensível como a névoa que se abate sobre ti.
E mágico ao mesmo tempo.
És difícil de perceber, fechado e misterioso como um gato.
As tuas ruas estreitas contam-me segredos e murmuram beijos
Que não podemos ver nem tocar.
Tudo em ti é passado, história e amor.
O teu rio tem a cor da sombra e da luz,
Um olhar cinzento, mas doce e belo ao mesmo tempo.
Sobre ti,
A ponte D.Luís estremece como um coração partido.
Nas vielas ouvem-se palavrões para dar graça à tristeza
E transformar pedaços de nada em poesia.
O teu coração é feito de granito: seguro e invicto.
Uma coluna fria que esconde um pulsar infinito.
Quase sempre não te entendo,
Mas é por isso que nunca te esqueço.
Para onde quer que eu vá.

Thursday, October 6, 2011

O Paradoxo do gostar.

Gosto de gostar.

Gosto de sentir na barriga a sensação de mil borboletas esvoaçarem dentro de mim.

Gosto de viver a ansiedade doentia de o ver, de o beijar, de o esperar.

Com um desejo louco e desajeitado de um querer sem explicação.

Não espero gostar. Simplesmente apaixono-me por algo que não sei muito bem definir e sei que gosto.

É simples como a matemática.

Ou como o bater repentino da Primavera.

A encher de vermelho, rosa e branco os dias que antes eram tão iguais.

É isso: gosto de gostar e pronto.

O objecto do amor talvez seja aquele que assume o papel menor.

O importante é sentir a vertigem do bate-bate que repica no meio do peito.

Gostar corrosiva e inteiramente. Sem esperar nada em troca.

Será isto a paixão afinal?

Ou apenas um sentimento, passageiro como uma brisa inesperada numa noite quente de Agosto?

Talvez seja. Mas essa brisa, foi como uma janela, por onde saltei, viajei por lugares incrivéis e voltei a cair.

Até à próxima Primavera.

Saturday, September 3, 2011

Primeiro Amor



O primeiro amor nunca se esquece. É bonito, puro, platónico, idealista, irreal e surreal. Feito de exageros, memórias, canções e ultra romantismo. Amores proibidos pela distância. Calados pelo tempo. O primeiro amor são olhos lacrimejantes e sorrisos intensos.É a cumplicidade de um lugar secreto, de uma promessa para a vida toda.Um amor secreto, que queima por dentro.

São cartas, palavras-que-nunca-dissemos-a-mais-ninguém, beijos roubados numa despedida apressada.O primeiro amor é o descobrir da vida, o despertar dos sentidos.O primeiro amor é a chama que se conserva como as rosas vermelhas do Walt Disney. Contudo, anos mais tarde, quando voltamos a abrir o baú mágico da nosssa adolescência, descobrimos que essa chama não é mais que cinza. Cinza da menina ou menino que fomos.Porque entretanto, os nossos braços deixaram de ter espaço nos bolsos para crescerem e querem voar, voar, viver a plenitude da liberdade e da paixão, conhecer novas paragens e enfim, dá-se a difícil, cruel e inevitável metamorfose da menina e do menino para homem e para mulher.

Esta retórica toda para dizer que o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto, o sétimo e o infinito dos amores serão seguramente sempre mais vividos, mais reais, e apesar de menos mágicos, será esse amor do presente que nos vai manter vivos, com uma chama tão intensa como o amor pela vida e por nós mesmos. Porque o primeiro amor não é mais que o início de uma longa e eterna caminhada. Obrigada por tudo.

Wednesday, July 13, 2011

Tratado sobre o Amor

O amor é uma perda de tempo. E a paixão tem um prazo de validade : entre 1 a 3 anos. Depois só fica o amor convencionalzinho, todo direitinho, se ambos partilharem os meus sonhos, os mesmos projectos, os mesmos lençóis,pratos, penicos e lavandaria, tudo pode resultar. - diz a Psicóloga top do momento que aparece na capa de uma revista, em grande destaque e produção fotográfica.( para sacar mais alguns clientes).

Paro para pensar que a fulana até tem uma certa razão! Caramba É capaz de ser melhor casar nos primeiros anos ou meses, quando ainda se ferve, ainda nos maçamos com ciúmes, e qualquer coisa que o outro diz é a mais bonita do mundo. Sim é melhor assim, porque depois tudo acaba. C’est la vie mon amour….

Mas continuo a acreditar que nem todos os amores e paixões podem acabar ao fim de três anos. A Psicóloga X da Costa Y afirma veementemente que só pode permanecer a paixão platónica. Mas então é assim? Quando nos apaixonamos, sabemos de antemão que aquilo vai acabar? E o amor é uma obrigação? Recuso-me a acreditar. Isso é a mesma coisa que passar a vida a pensar na morte e no tédio que nos espera.

Continuo a acreditar que há amores imortais, daqueles ao estilo do Garcia Marquez, que há pessoas loucas – tirando os ex-namorados que no desespero decidem fazer tudo o que nunca fizeram e são ridículos – para arriscarem, como o D.Quixote, que se podem escrever cartas de amor – mesmo com a ditadura do email - que se podem dar beijos e abraços no meio da rua quando nos apetecer, que podemos fazer coisas por amor, sem medo.

E acredito também que o amor não é um produto de consumo com prazo de três anos. Esses são os amores enlatados, complicados e apertadinhos, com legendas em várias línguas na parte traseira da lata.

E sim, é perfeitamente possível viver a ilusão de que se é feliz. Mas jamais sentir na boca o gosto doce, salgado e real de viver uma paixão, que também é amor.

Só é feliz quem acredita que a paixão dura para sempre. Mesmo que para isso seja preciso esperar cem anos.Ou mais.

Sunday, February 27, 2011

Azul

Quero voltar à pureza daquele Verão,
Mergulhar no azul que eram nossos corações,
Quadros de Picasso num jardim esquecido.

Nossos beijos eram tímidas gotas de orvalho,
que desabrochavam em flores vivas quando nos tocavam por dentro.
Os abraços infinitas formas de amar a vida e os corpos que cresciam.

Ah....Quero voltar Àquele tempo.

Quando a palavra amor ainda nos queimava por dentro,
e o silêncio era uma forma de dizer o quanto eu te amava.

Quero voltar.