Wednesday, September 29, 2010

"Hemingwices"

Gostava de partilhar a minha infelicidade por não conseguir terminar de ler o livro de Hernest Hemingway, "Por quem os sinos dobram". Será possível não ficar agarrada à escrita do vencedor de um prémio Nobel da Literatura e de um prémio Pulitzer? Que grande ignomínia!
Na verdade, por mais que o tenha passeado debaixo do braço este Verão, mesmo depois de o ter levado comigo para Espanha, país onde decorre a acção, ele ficou imune aos meus olhos suplicantes que lhe pediam que me fizesse apaixonar.

Bem, depois de discutir o assunto com a minha mãe e outras pessoas, decidi que o problema é do Hemingway e da sua escrita. Como um amor difícil depois de mil esforços, este livro tornou-se intragável.

Embora possa ser considerado um relato jornalístico da guerra civil espanhola , torna-se excessivamente moralista e partidário, o que é o antídoto do bom jornalismo: está claro, o senhor Hemingway está do lado dos "vermelhos" e os maus da fita serão sempre os fascistas, que perseguem e matam os pobres dos republicanos...Os republicanos matam sempre menos que os camisas negras!

Há de facto uma tentativa por parte do autor em romancear o relato, ao narrar o amor que surge entre Maria e Jordan, o americano enviado por Deus, que naquele tempo era representado estoicamente pelos EUA. Mas até esse amor é pouco expressivo: Hemingway denuncia essa paixão louca logo nas primeiras dez páginas,através de diálogos pouco pessoais e demasiado platónicos, e não deixa espaço ao leitor para imaginar as personagens, os diálogos, os segredos. Não me é transmitida grande emoção. Por comparação, basta recordar o romance " Se isto é um homem", um relato puro e duro do autor, o italiano Primo Levi, num campo de concentração.
Já li romances isentos de qualquer amor, onde senti muito mais emoção.

E é por isso que considero má a escrita desse livro. E não, não sou anti-prémios nobeis. Adoro Milan Kundera, Orhan Pamuk, Thomas Man, mas este Hemingway está muito, muito aquém...

E sem querer desiludir aqueles que exortam a torto e a direito o Hemingway, desculpem-me, mas recuso-me a tentar ler este livro até ao fim!