Tuesday, January 26, 2010

Sagres, Algarve, Novembro 2009





Há lugares que definitivamente nos roubam o ar, nos fazem pensar que podíamos ser felizes ali, e acordar todos os dias com aquela paisagem na nossa janela como um postal gigante , aquela visão que um dia os nossos dedos desenharam na areia, ao lado de castelos e piratas.

Fui a Sagres em trabalho, com uma máquina fotográfica pesada e desconfortável ao ombro, daquelas que nos rotulam, como as mulheres com experiência às mais novas: " tens obrigação de tirar uma boa fotografia". No entanto, a cada passo que dava, a cada falésia que avistava, tinha medo de continuar a caminhar, com o risco de cair e talvez voar no sonho que construí na praia.

Sim, é essa a sensação. Contornar o recorte das escarpas, sentir na boca, a maresia sensual do atlântico, fechar os olhos e no emaranhado de cabelos, vislumbrar pela primeira vez, um lugar onde é possível o silêncio, onde é possível a beleza sem legendas.

Wednesday, January 13, 2010

Chuva e poesia



Por que é que quando chove nos apetece escrever poesia,mesmo que sejam os mais tristes versos?(ou as mais irónicas versões de versos )


Talvez porque hoje esteja a chover sem parar e o Porto pareça um monstro muito zangado com a barba por fazer.

Talvez porque o vento seja um tubo de ensaio onde o frio e dor se entrelaçam como uma velha e um gato enroscados no sofá.

Ou Talvez porque o que se passa lá fora esteja a acontecer dentro de nós em simultâneo, como essas modernas video-conferências.

Ou então,

Temos medo que pare de chover e de ver o sol aparecer no meio das nuvens cinzentas.

Depois da chuva, os restos da tempestade ficam a dizer-nos adeus do topo dos pauzinhos de relva.

Como milhares de estrelas a brilhar no universo da nossa tristeza.