Friday, December 12, 2008

Cem anos de Manoel de Oliveira: "ele é o maior"



autoria do vídeo: Filipa Cardoso
descrição:Exposição em Serralves sobre o centenário de M.O.

Et Voilá le plus grande cineaste du Monde!Oliveira não é apenas "le plus grande" em idade, é também em grandeza de trabalho, e segundo Fréderic Bonnaud, é o "maior cineasta do mundo". O realizador portuense inventou um nova linguagem para o cinema, no fundo reinventou o próprio cinema, indo contra todos os canônes e regras. Nos EUA surpreendeu no "New York Film Festival", em França é já um realizador habitué do publico francês, no resto da Europa é considerado anómalo, por fazer um cinema "para si", e não para o público.

As explicações de Bonnaud:

“É muito fácil explicar por que é que ele é o maior cineasta do mundo”, diz Bonnaud. “O cinema, mesmo quando é um grande cinema feito pelos maiores cineastas, obedece a um certo número de regras que são intocáveis. O que é fascinante em Oliveira é que ele não respeita regra nenhuma. É alguém que opera quase como se não tivesse havido cinema antes dele – é preciso inventar ou reinventar tudo. É como um primitivo italiano que tem de inventar a pintura porque ela não existe antes dele ou como Jean Dubuffet ou Picasso, que não se contentam com os códigos da pintura, mas que a querem reinventar o tempo todo.”

Fonte: Público
Para ler mais : http://dossiers.publico.pt/noticia.aspx?idCanal=2693&

Monday, November 24, 2008

Que Saudade, Brasil!



Foto: Filipa Cardoso
Brasil Agosto/Setembro de 2007

Legenda: Liberdade

Menina triste



Foto:Filipa Cardoso
Brasil, Maragogi, Setembro 2007

Não gosto de estar assim.
Caminhar com uma pedra no sapato
Ter na barriga um buraco que penso ser fome,
E Inventar amores de romeu e julieta para colocar no lugar desse vazio.
....

Gostava de encontrar as palavras certas.

Gostava de fazer um papagaio de papel e correr com ele na praia.

Gostava que me depois me desses a mão e também corresses comigo.

E que depois, sentados na areia, comessemos um gelado de morango

Para tapar o buraquinho na barriga.

Mas para isso,

Tenho de tirar a pedra do sapato para conseguir correr.

Tuesday, November 11, 2008

Os jornalistas portugueses têm plena liberdade de expressão ?

No âmbito da Cadeira de Direito Penal da Comunicação, disciplina integrada na pós-Graduação em Direito da Comunicação( Faculdade de Direito de Coimbra), estou a desenvolver uma investigação sobre o conflito que opõe o direito à informação( e liberdade de imprensa) a direitos pessoalíssimos, como a honra e o bom nome . Em Portugal não são raros os casos de jornalistas que, uma vez acusados de difamar contra outrém (geralmente contra figura pública), acabam efectivamente por ser condenados.
Porém, recorrendo ao Tribunal Europeu Dos Direitos do Homem, esses mesmo jornalistas acabam por ganhar a causa, com base, no artigo 10ºda convenção Europeia dos Direitos do Homem.

Jornalistas, Juristas, Investigadores, Bloguitas, o que pensam do assunto?

Monday, October 27, 2008

W. ( Oh My God!)

Fotografia: Direitos reservados


"A que horas é o filme do Bush?"- ouvia-se à entrada dos cinemas de Coimbra, e eu própria, massa dessa colectividade, fiz a mesma pergunta. "W" é um filme que nos leva a entender, se o verbo não é demasiado simpático, o Bush e a "sua" Guerra no Iraque.
Desde os tempos de jovem rebelde, em que vagueava por assim dizer pelo mundo, à sua ascensão política- primeiro como Governador no Texas, depois como presidentes dos EUA- , a ideia que perpassa é a de um homem religioso do Texas, que gosta de junk food, cães, e de ficar a assistir a jogos de baseball aos dominigos à tarde. Um americano demasiado comum, que fez da guerra do Iraque uma questão de honra, em que é preciso limpar o nome da família Bush. Ocorreu-me agora a ideia que entre ele e o Homer dos Simpson's não há muita diferença: um é personagem de desenhos animados, o Bush, ainda que pudesse ser personagem animada, preferiu ser presidente-ou melhor os americanos assim quiseram, porque afinal ele foi eleito.

Penso que quem sair da sala de cinema, vai inevitavelmente formular a mesma pergunta ( voltamos à massa colectiva): Foi este o homem que conduziu a maior potência mundial durante 8 anos?- ( exclamação: OH My God!!). E depois de fazer esta pergunta, ocorrem logo muitas outras numa metamorfose interrogativa: e agora, o que acontece se vence OBama? Será que o Mundo vai mudar de repente? Os EUA vão deixar de praticar a sua habitual ingerência em assuntos de política externa( usando um eufemismo)? Será que os americanos vão aceitar um presidente negro, tendo em quanto o racismo de muitos estados norte-americanos, nomeadamente o Alabama? Será que Doris Lessing fez uma premonição certa sobre o assassinato de Obama?
Será?

Muitas perguntas ainda não têm resposta. Mas espero sinceramente que OBama vença as eleições e consiga limpar a imagem negativa que o Mundo tem hoje da América, assim como os velhos preconceitos desse país que nasceu de um ímpeto liberal mas que ainda convive com o racismo e a xenofobia.

Sunday, September 21, 2008

Douro meu

Fotografia: David Molina

O meu primeiro texto poético(não chamaria poema ainda) foi escrito na escola primária, dedicada a este lugar recôndito do Norte de Portugal. Voltei lá. E apaixonei-me de novo como se visse tudo pela primeira vez.
Setembro 2008

Mundo nostrum

Estanha sensação de ansiedade. Diziam que era "depois", depois que a vida a sério ia começar.de frente para o mar, todo um horizonte indelével por descobrir, águas que nos levam, nos levam para onde queremos ir, e também para onde não queremos ir, embora nunca vamos saber isso a priori, quando iniciamos a viagem. No peito, a liberdade começa a entranhar-se nos olhos, nas mãos, quer sair a voar, mas ainda não pode. Tantos constrangimentos, tantos bloqueios, tanta falta de romantismo. Às vezes,muitas até, seria mais fácil passar o dia a escrever sobre coisa nenhuma, sobre o que nem os jornais nem a rádio, nem televisão contam. Seria preferível viver no mundo fantástico do Garcia Llorca, ou em cima de um dos cavalos surrealistas de Dali.

Começar a ser grande doi, cansa. O real não é assim tão bonito. Estou cansada de espreitar por detrás de uma kodak e tentar captar o mais bonito de uma manifestação sobre a precaridade . Estou cansada desse efeito de ilusão (tromped'oeil)

(reflexões sobre o muito tempo sem escrever no blog)

Sunday, June 15, 2008

Nada a registar

A chuva cai e eu escuto-a cá dentro.

Estranha forma de sedução, de abismo para lá de um tempo em que eu fui, em que não pensava muito porque a chuva caía e no entanto em mim se produzia uma sensação maravilhosa de êxtase. Era o tempo de te ouvir dizer "New rains, new loves", o tempo em que eu era Deus de mim, e era capaz de plantar desejos por onde passava, de sonhar de olhos aberto, ou então fechados, mas sem medo de tropeçar em alguma pedra.

Mas hoje a chuva cai, e nada em mim se move, se questiona, vibra ou chora.
Hoje simplesmente ela cai e eu caio com ela.

Às vezes também é bom mergulhar num pouco de tristeza.

Sunday, April 13, 2008

Boas razões para a vinda do Acordo Ortográfico

“O Acordo Ortográfico permite uma maior circulação do livro em todo o espaço da língua portuguesa”

Para além da intensa actividade literária,José Eduardo Agualusa tem sido uma das vozes mais ouvidas sobre a polémica questão do Acordo Ortográfico. O escritor angolano diz-se favorável ao acordo e apontou duas grandes vantagens a favor da sua implementação. A primeira está relacionada com a questão da alfabetização: “Uma grande parte da nossa população é semi-alfabetizada. Quando as pessoas se deparam com duas ortografias diferentes é difícil a aprendizagem”, defendeu. A outra razão, que está directamente ligada à primeira, prende-se com a questão dos livros traduzidos. Tendo em conta que Angola não produz livros, “se houver uma ortografia única podemos importá-los do Brasil e de Portugal sem problemas"

Para além de romancista,o escritor angolano tem desenvolvido grande actividade como dramaturgo.
Ver mais em: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324796&idCanal=14

O Donald é discriminado

Fotografia: Direitos Reservados

Aqui está uma belo plano do Mickey e da Minie, um plano que chega a ser lugar-comum, pelo espacinho que fica entre os dois narizinhos.
Há pouco temp fui em trabalho de estágio à Eurodisney, possivelmente devido ao meu ar de bebé naiïve que o camara man da RTP não se cansava de felicitar ( ou gozar será mais o termo).Seja o que for, sei que fiquei muito contente por realizar um velho sonho de infância, embora o frio de Paris seja cortante no inverno.

Para além do frio, outra coisa me desagradou...O facto de não ter encontrado o Donald, nem a Margarida, Tio patinhas e os restantes membros da família de patos mais caricata de sempre. Mesmo nas lojinhas capitalistas do parque de diversões não encontrei nenhum peluche do Donald como vi do Mickey: o Mickey vestido de gala, o Mickey vestido de caçador aventureiro (sempre odiei esta faceta dele), o Mickey de sapatinhos vermelhos d everniz c uma t-shirt estilo I love Paris, enfim....Não entendo como há tanta gente no mundo sem entender o humor da família de patos..Preferem um Michey idiota,bonzinho e idiota.

bem, aqui fica a fotografia ultra romântica. Lá atrás o Palácio da Bela adormecida.

Thursday, March 6, 2008

O Público e eu fizemos anos


E foi assim que esta semana me despi das minhas vinte pétalas, para lançar uma sementezinha na terra desconhecida de um 0 oco . Pum: 21!
Comemorei o meu aniversário juntamente com o recém-adulto Publicozinho que fez 18 anos, coincidindo a data com o início do meu estágio lá. Em menos de uma semana entrei nas entranhas da rotina jornalística, estou a adorar e a ter uma das melhores experiências da minha vida.

Thursday, February 14, 2008

“Quando chove, queríamos poder chorar.”

Primo Levi


Com esta frase Primo Levi começa um dos capítulo da sua obra “Se isto é um homem”:
Não há nenhum recurso estilístico que o poderia exprimir de outra forma. È assim e ponto final. O escritor italiano continua, descrevendo as chuvas e o cheiro a bolor no mês de Novembro em Auschwitz, no ano de 1944. Um relato duro, incisivo e ao mesmo tempo, tão real, tão humano, tão desumano, que não deixa lugar para floreados. O melhor memorial da Segunda Guerra Mundial, provavelmente o melhor do século XX.
Levi fala da sua experiência no campo de concentração, e ao invés de se centrar na relação vítima- dominador, descreve a relação de hierarquia que se estabelece entre os próprios condenados. Afinal, morrer amanhã ou levar pancada de um alemão das SS deixa de ser siginficante quando comparado com o peso da fome, o frio e a necessidade de conseguir mais um naco de pão.

Uma visão do Holocausto que de tão real ,choca, fere os olhos, provoca náusea. O único momento em que Levi fala em lágrimas e tristeza ao longo do livro, será sobre esta forma ao recordar um dia de chuva em Novembro. De outra forma, à excepção do sonho de todos os condenados com o regresso a casa, em nenhum outro capítulo do livro se fala de sentimentos. O frio, a fome, a doença absorvem tudo. Até o ódio é anulado. O homem deixa de ser homem.

(em construção)

Monday, January 7, 2008

Quando o Amor é feito de Asas

Foto: Direitos Reservados

Quando o Amor é feito de asas,
Horas de espera nos aeroportos,
Carris e vapor de estações,
Vozes entrecortadas ao telefone,
Mãos doídas de saudade,
Olhos cegos de incerteza,
Fronteiras vagas,
Um Tempo de ausência
No Mundo.
Um Tempo em que tu és fantasma
Dos meus passos, vontades, sonhos,
Desejos, pensamentos,
Um pássaro no meu ouvido,
Um segundo de beijos,
Um Infinito de abraços,
Uma miragem ao fundo da cama
E da fotografia nela esquecida.

Um Tempo de Tudo
e Nada.
Um tempo em que não se vive,
Ou talvez se viva tudo, se morra, ressuscite
E o mais difícil seja continuar vivo.