2 days ago
Sunday, September 27, 2009
Friday, September 18, 2009
Uma noite em Barajas

Enquanto à minha volta,
Toda a gente procura um lugar vago para se sentar,
(um casal de gays, uma fotógrafa com ar de aventureira quase em cima de mim e um inglês com uma mala vazia, várias vezes interrogado pela policia)
Eu acomodo-me com o meu pequeno livro de apontamentos,
E voo no tempo até aquele dia.
Apenas para te olhar de novo, antes que o avião parta.
....
O teu sorriso era como uma flor carnívora que me comia só com o olhar.
Através dos teus olhos,
Sentia-me viajar no tempo e no mundo sem arrancar os pés da terra.
Como se não existisse mais nada, a não ser os teus olhos.
Tempestade de céu, mar e sol.
Os teus cabelos,
Espigas de milho ao vento,
Ou fogo a queimar-me por dentro.
Dentro de ti o Mundo inteiro,
Dentro de Mim, esse Mundo todo a girar.
Gostava de ser bailarina.
E que tu fosses a minha caixinha de música.
Friday, August 21, 2009
Adeus meu Querido Zé
É muito difícil falar da morte, sobretudo quando esta acontece de uma forma tão estúpida, trágica e no início da vida de um jovem com tudo para ser feliz. Perder alguém como tu, significa para mim perder um amigo, um vizinho, um passado, uma parte de mim, a alegria que sentia ao chegar a casa.
Mas mais difícil do que falar do que aconteceu, é continuar a viver sem ti.
Vamos ter muitas saudades,meu Querido.
O Porto vai continuar a brilhar por ti!
Friday, July 3, 2009
À descoberta de Tabucchi
Nos últimos tempos tenho-me revelado um gato preguiçoso que não faz mais nada se não apanhar sol. Na realidade, experimentei três meses árduos de trabalho na capital,em que o pouco tempo que tinha concedia-o à ociosa tarefa de simplesmente olhar a luz de Lisboa, tentar perceber a sua brancura, perceber as "vísceras" de uma nova cidade, como alguém especial que quisessemos conhecer e conquistar. Tal como um gato também bebi muito do sol de Lisboa. Mas não sei se me terá feito muito bem.
De regresso ao meu habitat natural, descobri que tinha fome, fome de livros e novos nomes a descobrir.
Foi então que surgiu Antonio Tabbuchi, escritor italiano. Tem uma estilo objectivo, coeso, irónico, como eu gosto. Uma das características que mais me fascina nele é a adoração por Fernando Pessoa, tendo traduzido parte da sua obra para italiano.Nos seus livros encontramos o cruzamento de elementos da cultura portuguesa e italiana. É interessante ver o resultado.O realismo de quem simplesmente olha e não tem de se camuflar em textos pesados e pretensiosos para contar um país, uma ideia, o ser humano.
Fica o registo do meu regresso à literatura e a estes breves escritos.
De regresso ao meu habitat natural, descobri que tinha fome, fome de livros e novos nomes a descobrir.
Foi então que surgiu Antonio Tabbuchi, escritor italiano. Tem uma estilo objectivo, coeso, irónico, como eu gosto. Uma das características que mais me fascina nele é a adoração por Fernando Pessoa, tendo traduzido parte da sua obra para italiano.Nos seus livros encontramos o cruzamento de elementos da cultura portuguesa e italiana. É interessante ver o resultado.O realismo de quem simplesmente olha e não tem de se camuflar em textos pesados e pretensiosos para contar um país, uma ideia, o ser humano.
Fica o registo do meu regresso à literatura e a estes breves escritos.
Friday, May 8, 2009
Lisboa, 8 de Maio de 2009
Se hoje fosse uma música seria "Changes" de Seu Jorge.
Se hoje fosse um poeta seria Fernando Pessoa
Se hoje fosse um livro, seria um caderno de apontamentos
Se hoje fosse uma personagem,
seria um descobridor
Se hoje fosse uma língua seria a globalidade,
Se hoje fosse um sentimento,
seria a saudade
Se hoje fosse uma força,
Seria a esperança,
Se hoje fosse um lugar,
Seria uma estação de comboio,
Se hoje , ou amanhã, fosse alguma coisa.
Seria uma Viagem.
ps-Para o José de Oliveira, um beijinho:)
Se hoje fosse um poeta seria Fernando Pessoa
Se hoje fosse um livro, seria um caderno de apontamentos
Se hoje fosse uma personagem,
seria um descobridor
Se hoje fosse uma língua seria a globalidade,
Se hoje fosse um sentimento,
seria a saudade
Se hoje fosse uma força,
Seria a esperança,
Se hoje fosse um lugar,
Seria uma estação de comboio,
Se hoje , ou amanhã, fosse alguma coisa.
Seria uma Viagem.
ps-Para o José de Oliveira, um beijinho:)
Saturday, March 21, 2009
Sunday, March 15, 2009
(In)Definição de Saudade
Direitos Reservados
Enquanto escrevo esta carta penso na melhor forma de explicar-te Essa coisa chamada saudade que os portugueses trouxeram do mar, num dia qualquer de tormenta, numa dessas viagens sem fim , até ao fim do mundo. Peço-te agora, meu bem, -para que o significado dessa estranha palavra entre também dentro de ti, - que coloques a tua mão no meu ombro enquanto escrevo, para que vejas como se processa a saudade: as palavras como desejo, carinho, compreensão, insaciedade, sonho, prazer, riso, cor, verão, calor, vão escorrendo das minhas mãos para o papel; por sua vez, o papel transfere as emoções de novo para mim, os meus olhos ficam cheios de orvalho e uma dor de barriga instala-se na zona abdominal; não te rias, é mesmo assim; então, as palavras de novo dentro de mim começam a subir como pequenas borboletas bandoleiras, e vão formando pequenos nós na minha garganta; Os olhos fecham-se, as palavras transformam-se em sentimentos e caem como um rio na minha face; da minha boca soltam-se pétalas vermelhas que voam por todo o lado ; começo a correr atrás delas como louca; mas em vão; porque quando penso que as tenho, que finalmente tenho aquelas palvras todas de volta- o desejo, o calor, a insaciedade, a compreensão, o fogo, a água, a manhã- .....elas desaparecem como miragens entre os meus dedos; finalmente, Sinto os dedos tremerem, e a pele arrepiar-se; é como se tivesses ficado para sempre com a tua mão no meu ombro, e em vez de teres dito “adeus, até logo” , disseste adeus, apenas, adeus, apenas...

Enquanto escrevo esta carta penso na melhor forma de explicar-te Essa coisa chamada saudade que os portugueses trouxeram do mar, num dia qualquer de tormenta, numa dessas viagens sem fim , até ao fim do mundo. Peço-te agora, meu bem, -para que o significado dessa estranha palavra entre também dentro de ti, - que coloques a tua mão no meu ombro enquanto escrevo, para que vejas como se processa a saudade: as palavras como desejo, carinho, compreensão, insaciedade, sonho, prazer, riso, cor, verão, calor, vão escorrendo das minhas mãos para o papel; por sua vez, o papel transfere as emoções de novo para mim, os meus olhos ficam cheios de orvalho e uma dor de barriga instala-se na zona abdominal; não te rias, é mesmo assim; então, as palavras de novo dentro de mim começam a subir como pequenas borboletas bandoleiras, e vão formando pequenos nós na minha garganta; Os olhos fecham-se, as palavras transformam-se em sentimentos e caem como um rio na minha face; da minha boca soltam-se pétalas vermelhas que voam por todo o lado ; começo a correr atrás delas como louca; mas em vão; porque quando penso que as tenho, que finalmente tenho aquelas palvras todas de volta- o desejo, o calor, a insaciedade, a compreensão, o fogo, a água, a manhã- .....elas desaparecem como miragens entre os meus dedos; finalmente, Sinto os dedos tremerem, e a pele arrepiar-se; é como se tivesses ficado para sempre com a tua mão no meu ombro, e em vez de teres dito “adeus, até logo” , disseste adeus, apenas, adeus, apenas...
Subscribe to:
Posts (Atom)